Os gays surdos e mudos

Já é tão difícil aceitar e conviver com a nossa sexualidade, imagine então aceitar as necessidades especiais ou deficiências físicas?
Você conhece algum gay cego, cocho, surdo ou mutilado?
Então pense como você se relaciona com ele.

Dizem os surdos que são os ouvintes que fazem da surdez um problema. Os surdos são, em geral, uma minoria que tem uma língua própria, a língua gestual.
Mas a cultura dominante na nossa sociedade é um discurso oral ou escrito, sendo difícil admitir que se possa comunicar de outro modo. É um pouco o que acontece com a sexualidade dominante heterossexual, que tem muita dificuldade em aceitar outras formas de expressão sexual para além da sua, que pretende impor como exclusiva.
Entretanto, vejo muitas diferenças: enquanto os hetero em grande parte excluem os homo ou bissexuais, na comunidade surda, a convivência entre hetero e homo surdos é boa e não existe muita discriminação – palavras de um conhecido meu.

Quem discrimina os gays surdos são os gays ouvintes, que partilham da convicção da maioria de que a única língua válida é a oral. Assim, para nós, eles são portadores de deficiência, enquanto os gays surdos se consideram a si próprios simplesmente “pessoas diferentes”.
Durante muito tempo nós ouvintes, decidimos por eles o que lhes era conveniente e só mais recentemente se começou a reconhecer a pessoa surda como detentora de um estatuto jurídico, como pessoa diferente.
Por isso, os surdos, hoje, reivindicam uma sociedade multicultural, tolerante e solidária, tal como a comunidade gay, com a efetiva promoção da igualdade de oportunidades entre ouvintes e surdos e, nesse sentido, é necessário respeitar o seu direito fundamental de se comunicar através da língua gestual.

Na minha juventude eu tive relação com um gay idoso surdo e mudo – ele era um homem maravilhoso, inteligente, sensível. Pena que durou tão pouco, mas ele ajudou bastante na formação do meu caráter e na forma como eu me relaciono com o mundo e mais ainda, o mundo das diferenças.

O grupo Estruturação de Brasília faz um trabalho muito legal na comunidade de gays surdos e surdas, com cursos de LIBRAS – Língua Brasileira dos Sinais.

Recentemente foi criada a Associação Paranaense LGBT para surdos.

Nota: Nos Estados Unidos as comunidades gays com deficiências auditivas estão muito evoluídas e tem Paradas do Orgulho Gays de Surdos, como na imagem deste post.

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Sobre Regis

57 anos de idade, residente na cidade de São Paulo

Publicado em 22/06/2010, em Opinião, Qualidade de Vida, Saúde, Sexualidade, Sociedade. Adicione o link aos favoritos. 2 Comentários.

  1. eu gostaria de conhecer um garoto diferente… penso que eu seria uma pessoa melhor, dando valor às coisas num modo geral; não porque eu me sentiria alguém “saudável” e bondoso por estar com uma pessoa surda /ou muda ou cega ou cadeirante etc, mas porque eu aprenderia a me relacionar com as pessoas.

  1. Pingback: Os gays com deficiências físicas « Grisalhos

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