Gay maduro e o mercado de consumo

O mercado gay que se desenvolveu nos últimos anos uniu a economia e a sexualidade num mesmo negocio, transformando o que chamamos de “estilo de vida gay” em complicadas transações comerciais.

Esse mercado teve origem nas estruturas sociais e econômicas do “mundo gay internacional” e congrega principalmente serviços para todas as classes sociais brasileiras.

Bares, saunas e outros estabelecimentos comerciais atendem à demanda de todos os gays, desde o mais humilde até executivos e aposentados. Esses estabelecimentos se tornaram além de locais para encontrar parceiros, locais de socialização livres de preconceito e discriminação.

O gay maduro se inseriu neste mercado de consumo porque tem renda acima da média nacional, a maioria não tem dependentes e os mais idosos possuem planos de previdência oficial e privada, além de moradia própria, carro na garagem, plano de saúde e uma reserva financeira que lhe permite consumir.

Tudo o que o gay maduro procurava e encontrava no exterior agora encontra no Brasil a preços mais acessíveis. Por sua natureza os gays são consumidores vorazes de tudo o que surge nesse mercado. Os maiores consumidores ainda são os jovens, mas o consumo triplica na medida em que aumenta a sua faixa de idade.

Os estabelecimentos comerciais são dirigidos ou administrados em sua maioria por gays que de olho nas tendências aplicam suas economias nesse mercado de clientela diferenciada e também de alto padrão. As grandes corporações e conglomerados internacionais estão entrando de “sola” para abocanhar a sua fatia do mercado – é o que chamam de “friendly”.

Ainda estão à caminho Planos de saúde GLS, cartões de crédito de afinidade com ONGs do Arco Íris e muitos outros serviços ainda não explorados ou inseridos no estilo gay de viver.

O mais interessante de tudo é que no fundo esse comportamento de consumo está ligado à aceitação ou revelação da sua identidade homossexual e não se preocupam com isso porque pagam pelos serviços e exigem sigilo, mesmo que isso custe algumas centenas de “reais” a mais na conta e também porque enquanto consumidores não estão invisíveis na sociedade.

Quanto mais alto é o seu padrão social menos é a discriminação e com isso os gays maduros estão descobrindo o seu lugar dentro deste mercado e usufruindo sem culpas dos bens de consumo, moradias, principalmente, os serviços e entretenimento, porque pagam para ter e viver o estilo moderno de vida gay.

Há um tempo esse tema foi matéria de capa da Revista Isto É, mas com uma visão voltada para a economia do país, onde se estima que 18 milhões de brasileiros sejam consumidores desse mercado.

A 14ª Parada Gay de São Paulo acontece no dia 06 de junho e deve movimentar milhões de reais na economia da cidade em apenas dois dias – Quem viver verá!

Nota: A imagem que ilustra este post é capa do livro O Mercado GLS de Franco Reinaudo e Laura Bacellar.

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Sobre Regis

57 anos de idade, residente na cidade de São Paulo

Publicado em 19/05/2010, em Consumo, Diversão, Negócios e marcado como . Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

  1. Eu fui na Virada Cultural em São Paulo neste ultimo fim de semana e fiquei surpreso com a quantidade de gays, lésbicas, travestis e transexuais no centro. Pelo que entendi, é um bairro que abriga muitos da comunidade de qualquer maneira, mas mesmo assim foi muito bom ver tantos juntos, de mãos dadas, se beijando, sem medo algum (muita policia pra todo lado). E consumindo, é claro.

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