Um olhar retrô sobre a cena gay paulistana

O cenário gay do final dos anos 70 e meados dos 80 em São Paulo era fervilhante. Um final de semana começava na sexta à noite em festas que aconteciam nos apartamentos dos amigos na região central da cidade – Festas embaladas ao som dançante de Donna Summer ou Village People e com muita bebida destilada – uísque e vodca.

Geralmente aos sábados o roteiro era um cardápio variado entre as discotecas, bares e saunas regadas a muito poppers. Maconha era mercadoria que não dava o barato para uma noite completa, principalmente, para conseguir companhia, para um fim de noite que teimava em não terminar.

Naqueles tempos os prazeres e a liberdade inconseqüente eram vividos ao extremo, no limite de cada corpo. Os problemas eram substituídos por relações casuais e os conflitos emocionais e familiares eram amenizados por outro final de semana muito louco.
O que ficou foi a imagem dos gays querendo viver cada minuto da vida intensamente como se fosse o último e sempre com muita diversão.

Para quem viveu aquela época é óbvio escrever que aquela foi a melhor década de todos os tempos – Recordo-me de ver muitos gays em pleno ato sexual nos banheiros públicos do Largo do Arouche. Lá pelas bandas da Consolação casais se esfregavam em praça pública. Nos becos as sacanagens pareciam cenas dos filmes do Almodóvar.

Não existia Internet, celular ou TV por assinatura. Não tinha Parada Gay ou Mundo Mix, e parecia que todo mundo saia de casa para curtir à noite. Os bares fervilhavam de homens de todas as idades, a freqüência de gays maduros era grande, os mais jovens eram mais ousados ao ponto de fazer um boquete em qualquer esquina. Nos hotéis das redondezas era um entra e sai maluco e nos motéis as filas de espera eram longas.

A década de 80 terminou ao som de Freddie Mercury, a AIDS aterrorizou os gays que tombaram como pinos de boliche consumidos por doenças oportunistas, inclusive o Freddie.
Os bares se esvaziaram e fecharam as portas. A alegria ingênua desapareceu na calada da noite tão efêmera quanto os anos dourados da ferveção Paulistana.

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Sobre Regis

58 anos de idade, residente na cidade de São Paulo

Publicado em 30/11/2009, em Cultura, História, Memória, Opinião. Adicione o link aos favoritos. 14 Comentários.

  1. Esse senhor da foto é um belo coroa mesmo, tem video dele no site Grey Fox Lounge, e parabens
    pelo blog super bacana adoro ler muita coisas aqui, não sei se é pq adoro coroas.
    abs

  2. talvez eu não tenha pegado essa época, mas acho que toda época é marcada por algo, na década de 80 era bom mas também tinha seus limites, o que é liberdade? será que temos liberdade ? implicados sempre estamos então essa questão de ser livre, autentico é muito Subjetivo. O HIV veio justamente para mostrar que temos que ter cuidados, que podemos curtir, badalar, sair etc mas com cuidado. Hoje também temos nossas vantagens – temos as leis, os hotéis, os coquetéis do HIV , e a noite é sempre uma criança, basta saber aproveitar. Cada época com seu talento e merecimento.

    • Exatamente Pedro. Acontece que nós humanos sempre valorizamos mais a época da nossa juventude. Por que? Simples. Foi nessa época em que a nossa beleza física estava mais aflorada, a flor da juventude. Então, é comum ouvir dos mais velhos que as décadas correspondentes a sua juventude foram as melhores e até mais que ao momento atual. Mas, se você parar e analisar, hoje em dia a homossexualidade é muito mais aberta e aceita pela sociedade, temos a internet para marcarmos encontros sexuais e até arranjar namoro, temos o casamento civil, adoção de filhos, filmes e novelas mostrando sexo e amor gay e um monte de acontecimentos que jamais seriam imaginados há décadas. Emfim, como você já comentou, cada época tem sua magia.

  3. Gostaria de saber sobre esse coroa da foto, mande o email dele para mim……lindo e charmoso, meu número, rsrsrs

    • As imagens que ilustram os posts não tem nenhum vínculo com o mundo real, portanto, não tenho o e-mail do senhor da imagem

  4. Que pena que perdi esta festa toda…quando nasci para o mundo gay só se falava em aids…mas tô com um coroa lindo do meu lado agora.abrçosV.

    • A vida é feita de muitas festas. Você perdeu apenas uma festa gay que durou uma década, mas não perdeu a festa atual. Mesmo com AIDS o tempo não para.

    • EDISON GAGO

      Por isso que apareceu a AIDS, para aplicar um corretivo nas pessoas como você, que embora acompanhado de um coroa lindo, mas ainda quer galinhar. Acalme esse fogo.

      • A AIDS é uma doença que não deveria ser utilizada para condenar comportamentos homossexuais. Isso me parece discurso evangélico, além de homofóbico.

  5. My God! Quem é esse cara que aparece na foto? Ele é lindo…

  6. Nossa… que forte este texto… estou realmente mto emocionado…

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