Arquivo mensal: novembro 2009

Um olhar retrô sobre a cena gay paulistana

O cenário gay do final dos anos 70 e meados dos 80 em São Paulo era fervilhante. Um final de semana começava na sexta à noite em festas que aconteciam nos apartamentos dos amigos na região central da cidade – Festas embaladas ao som dançante de Donna Summer ou Village People e com muita bebida destilada – uísque e vodca.

Geralmente aos sábados o roteiro era um cardápio variado entre as discotecas, bares e saunas regadas a muito poppers. Maconha era mercadoria que não dava o barato para uma noite completa, principalmente, para conseguir companhia, para um fim de noite que teimava em não terminar.

Naqueles tempos os prazeres e a liberdade inconseqüente eram vividos ao extremo, no limite de cada corpo. Os problemas eram substituídos por relações casuais e os conflitos emocionais e familiares eram amenizados por outro final de semana muito louco.
O que ficou foi a imagem dos gays querendo viver cada minuto da vida intensamente como se fosse o último e sempre com muita diversão.

Para quem viveu aquela época é óbvio escrever que aquela foi a melhor década de todos os tempos – Recordo-me de ver muitos gays em pleno ato sexual nos banheiros públicos do Largo do Arouche. Lá pelas bandas da Consolação casais se esfregavam em praça pública. Nos becos as sacanagens pareciam cenas dos filmes do Almodóvar.

Não existia Internet, celular ou TV por assinatura. Não tinha Parada Gay ou Mundo Mix, e parecia que todo mundo saia de casa para curtir à noite. Os bares fervilhavam de homens de todas as idades, a freqüência de gays maduros era grande, os mais jovens eram mais ousados ao ponto de fazer um boquete em qualquer esquina. Nos hotéis das redondezas era um entra e sai maluco e nos motéis as filas de espera eram longas.

A década de 80 terminou ao som de Freddie Mercury, a AIDS aterrorizou os gays que tombaram como pinos de boliche consumidos por doenças oportunistas, inclusive o Freddie.
Os bares se esvaziaram e fecharam as portas. A alegria ingênua desapareceu na calada da noite tão efêmera quanto os anos dourados da ferveção Paulistana.

Filme: O clube dos corações partidos

Esta comédia gay romântica foi produzida em 2000 e por ser um filme temático não teve muita repercurssão na época do seu lançamento.
Lançado em DVD no Brasil em 2002, ainda pode ser encontrado em locadoras especializadas em filmes gays.

O filme é uma mistura de humor e emoção que comove.
Sem ser piegas mostra o dia-a-dia de oito amigos, cada um com seus problemas e relacionamentos.

O mundo gay é retratado com simplicidade e alegria – relacionamentos ocasionais ou estáveis.

Nota: O gay idoso da turma é o ator John Mahoney que tem um restaurante onde todos eles se encontram

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