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Duplo preconceito: Ser gay e gostar de idosos

0237-1024x682Por mais que os amigos digam que é legal sair do armário, para viver uma vida menos traumática, ainda assim, esbarra-se no dilema: Como sair do armário gostando de homens maduros ou idosos?

Quem em sã consciência vai chegar para a família e dizer que o namorado tem 60 anos?

Faça uma reflexão sobre este assunto e concluirá que a relação intergeracional entre gays é preconceituosa e complicada – leia este post.

Com o aumento da expectativa de vida, várias gerações viverão simultaneamente, com isso torna-se necessário mudar o conceito que nossa sociedade tem sobre o velho, uma vez que muitas pessoas pensam ser a velhice uma fase de perdas e declínios, tendo uma imagem negativa sobre essa fase da vida.

Mas no mundo real isso ainda não funciona. Se você está na faixa dos vinte e poucos anos e tem um namorado de sessenta, com certeza será discriminado por familiares e amigos, salvo raras exceções.

Quando você circula com seu namorado por espaços públicos, vocês são observados por olhos críticos e curiosos em decifrar os enigmas de tal relacionamento. Poucos dirão que são amigos, outros associarão ao relacionamento de pai e filho e mesmo sem pleno conhecimento, a maioria dirá que são gays.

Queira ou não, gostar de homens mais velhos é aceitar viver uma vida de isolamento, seja pela dificuldade de encontrar parceiros, ou, mesmo estando casado ou com namorado – Isso também se aplica aos homens casados com mulheres e que buscam parceiros maduros ou idosos para relacionamento.

Os casais gays tentam adaptar-se da melhor maneira possível, mantendo atividades sociais e culturais que os preserve dos curiosos de plantão. Talvez esse seja o principal motivo de você não encontra-los facilmente por ai, mas se você for à boate ou ao bar com certeza os encontrará por lá. Os guetos são espaços de socialização dos gays e fomos confinados desde sempre, mas principalmente após os anos 1950.

Eu me lembro de quando eu tinha vinte e cinco anos e namorava um coroa de sessenta. Não morávamos juntos e nossos encontros semanais sempre aconteciam à noite e nos finais de semana, até porque ambos trabalhavam.

Nosso porto seguro era dentro do carro circulando na metrópole. Algumas vezes jantávamos em restaurantes com pouca circulação de pessoas, raras vezes íamos ao cinema ou teatro, mas sempre acabávamos parando num bar da Rua Vieira de Carvalho no centro de São Paulo, para tomar uma cerveja e rever alguns conhecidos. Isso era quase uma necessidade para combatermos o isolamento do casal.

Mas no gueto o casal fica exposto aos ataques das ditas “amigas”. Tem sempre alguém querendo paquerar você ou seu companheiro e se não existir uma base sólida a relação se desgasta.

Quando a diferença de idade entre os parceiros é menor e se ambos não dão pinta de que são gays, a situação tende a ser mais flexível, porque a sociedade associa a relação como sendo de “amigos”.

Eu conheço apenas um casal que assumiu publicamente a relação. Um deles com cinquenta anos e o outro com sessenta e sete. Neste caso, a pouca diferença de idade e a independência financeira contribuíram para tornar público um relacionamento de vinte anos. Outros fatores contribuíram para este cenário: Aceitação familiar e profissional no momento certo de sair do armário.

Obviamente, hoje a sociedade é menos repressora do que há algumas décadas, mas os problemas ainda são os mesmos. O primeiro deles é conseguir encontrar um parceiro maduro ou idoso, depois se seguem a adaptação do casal e o despertar para uma vida a dois e os problemas que enfrentarão diariamente.

O problema mais evidente é adaptar-se na relação, porque o mais velho é mais conservador e vive sob muita repressão desde a adolescência. São poucos os coroas que tem mente aberta para as mudanças sociais. Quando falo o mais velho não estou dizendo de um quarentão ou cinquentão, mas acima dos sessenta anos.

Neste cenário o mais jovem é impulsionado ao convívio social isolado do seu par, consequentemente, o outro também estará isolado.

Existem casais que se relacionam há décadas, mas devido a todas as variantes sociais e culturais optam por viver separado, cada um na sua casa para evitar o preconceito.

Tudo isso resumido leva a uma constatação: A VIDA DUPLA de cada um dos parceiros seja por ideologias, não aceitação ou pressão social.

Filme: Em Busca do Amor

embuscadoamor_1Há mais de um ano eu não escrevia um post com dica de filme e foi até sem querer, pois o enredo nem é 100% sobre homossexualidade e não há muita referência nas sinopses disponíveis. Apesar do título brasileiro não ter nada a ver com o título em inglês The City Of Your Final Destination, foi um grande presente saber que eu tinha este filme na minha videoteca há mais de seis meses esperando para ser descoberto.

Sobre o filme: É uma pena esta fase em baixa do famoso diretor James Ivory, diretor de filmes clássicos como Vestígios do Dia e Retorno a Howard’s End, que mesmo assim consegue reunir um elenco excelente, Anthony Hopkins, Laura Linney e Charlotte Gainsbourg.

Na trama, o jovem acadêmico, Omar Razaghi, tenta convencer os herdeiros do célebre escritor uruguaio, Jules Gung, que morreu recentemente, a autoriza-lo a fazer uma biografia.

Na história Anthony Hopkins interpreta um dos herdeiros do escritor, um gay idoso que mantêm um relacionamento há 25 anos com um homem maduro asiático que conheceu quando este tinha quinze anos de idade.

A relação do casal é de conhecimento da família e da sociedade local, bem como, ele não esconde de ninguém, nem do jovem Omar Razaghi. A maior parte do filme acontece numa fazenda da família no interior do Uruguai.

A única cena de nudez é discreta e a interpretação de Hopkins é divina, principalmente, nas poucas cenas de beijos e abraços.

Como sempre a fotografia dos filmes dirigidos por Ivory é maravilhosa.

O filme está disponível em formato digital, DVD e Blu-ray

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