O isolamento dos casais gays

Eu recebo muitos e-mails de casais que buscam outros casais ou amigos para amizade e principalmente viagens.

Os homens que se relacionam com gays mais velhos e dentro do armário vivem o isolamento social, inclusive, no meio homossexual. Talvez, o isolamento também acontece entre casais sem muita diferença de idade. Isso pode ser uma opção, mas tem muitas variáveis.

A seguir destaco três fatores que contribuem para conflitos e isolamento:

  • Diferença de idade entre os parceiros;
  • Diferenças culturais;
  • Diferenças sociais;

Os gays mais velhos tem uma tendência natural do acomodamento por serem mais seletivos e os jovens estão com a adrenalina à flor da pele. Enquanto o “coroa” quer sossego, o jovem quer os bares, baladas e agitação.

Se você buscar na internet  encontrará muitos anúncios de casais que buscam outros casais para relacionamento social. Não pense você que é para sexo ou troca de casais.

No começo da relação os jovens que gostam de maduros vivem num mar de rosas e quando  a relação se estabiliza e cada um conhece melhor o parceiro, os conflitos aparecem. Invariavelmente, o jovem vai se sentir sozinho e sem amigos, ou, se isolou para viver a relação e os amigos desapareceram.

Eu me lembro de um bordão muito comum no meu círculo de amigos gays da minha juventude:

O meu amigo sumiu! Ele deve estar doente, morreu ou está de “caso” novo – Dito e feito. Alguns meses depois ele reaparecia e apresentava o seu “coroa”.

Quando eu analisei essa questão do isolamento social entre os casais eu cheguei à conclusão de que isso é inerente ao relacionamento entre duas pessoas do mesmo sexo. Tanto faz se é gay ou lésbica, os casais buscam se firmar e para não ter a interferência de outras pessoas, inconscientemente, optam pelo isolamento. Lembre-se: Nós não constituímos família e não temos filhos.

Uma vez um amigo me falou: Eu sumi da roda de amigos para não roubarem o meu “bofe” – Faz sentido.

O melhor nessa história é o fato dos mais velhos estarem atentos a esse isolamento e buscam junto com os seus jovens parceiros, algumas soluções criativas para preencher a lacuna da vida a dois.

Uma delas é morar separados – cada um no seu canto, com sua vida social e familiar. Aí o casal se encontra nos finais de semana, feriados e férias. Neste tempo curto de convivência há uma saída para um hotel, motel ou na casa de um dos parceiros.

Outra solução criativa – morar separados, mas fisicamente perto. No mesmo bairro, no mesmo quarteirão ou no mesmo prédio. Isso camufla o relacionamento e deixa os “pombinhos” a um passo de matar as saudades, além de ser um ótimo radar para vasculhar a vida e o comportamento do parceiro.

Atualmente, os mais velhos estão ousados e assumir a relação e morar juntos é a melhor forma de combater o isolamento individual, mas não estarão livres do isolamento social do casal.

No meu prédio tem um médico de 65 anos que é casado e mora com a mulher noutro bairro e o apartamento é a sua segunda morada. O “apê” está no nome do seu parceiro mais jovem e toda semana ele aparece por lá para viver a sua vida dupla. Isso não é crítica, mas foi uma forma criativa dele viver a sua vida homossexual, ou será que ele é bissexual? Isso já dura mais de cinco anos.

Eu conheço um gay residente em São Paulo e o seu parceiro é francês e mora em Paris. Pode? A convivência é dividida com seis meses no Brasil e seis meses na Europa. Esse relacionamento deve ter mais de 10 anos.

Já mencionei aqui no blog que há quatro anos eu tenho um relacionamento. Eu sempre morei em São Paulo e ele morava no interior. Ano passado ele mudou pra capital. Quer melhor? Ele mora no mesmo prédio que eu. Essa foi uma alternativa combinada entre nós, porque ele nunca morou com ninguém e na velhice as mudanças são traumáticas.

De certa forma, nós vivemos um isolamento social, pois temos poucos amigos ou outros casais para compartilhar momentos de convivência e lazer. O mais importante é o respeito e a ajuda mútua entre os parceiros. Temos vida social agitada, nos cinemas, teatros, restaurantes e muitas viagens, mas sempre nós dois. Optamos por viver assim e somos felizes.

O mundo moderno é pleno de individualismo e mesmo com leis para os gays, a união estável ou adoção de crianças não vai mudar este cenário. Evoluímos para termos direitos civis, mas ainda estamos longe de conquistarmos a verdadeira liberdade.

Como disse o cantor Belchior na voz de Elis Regina:

Ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais.

Os gays e as drogas

Se você não fuma, não bebe, não toma medicamentos e não é dependente químico, você é um felizardo e “um diferente” no meio gay.

Durante a última década vários estudos  nos Estados Unidos e Reino Unido apontaram que os gays são consumidores de drogas em potencial. Os gays do sexo masculino usam drogas sintéticas e entre as lésbicas predomina o uso da maconha. Eu não tenho notícias desse tipo de pesquisa no Brasil.

A opção sexual e a discriminação são fatores que contribuem para a dependência química. Os gays jovens que frequentam as baladas costumam se drogar com cigarros, bebidas alcoólicas, maconha, cocaína e drogas sintéticas como o ecstasy, Mitsubishi, Ice, etc.

Os movimentos das Paradas Gay por todo o Brasil sempre tem registros de consumo excessivo de drogas, principalmente, de bebidas.

A cultura do corpo também leva muitos gays a tomar anabolizantes. Uma droga sintética da testosterona e que é inserida no organismo na forma de comprimido ou ampola. Via oral ou intramuscular para aumentar a massa corporal. Essa galera é conhecida no meio gay como “as barbies”.

Ao longo da fase adulta os gays se fixam em drogas de uso diário, como o cigarro e bebidas destiladas: Vodca, Gin e cachaça.

O hábito de beber na companhia de outros amigos é frequente e faz parte da rotina, principalmente, nos finais de semana. No Brasil o consumo de cerveja e caipirinha é um hábito também no meio GLBT, principalmente, entre os homossexuais que não “dão pinta” ou aparentam ser gay.

Os gays maduros e idosos tem contra si os problemas da não aceitação, da rejeição do próprio meio, da velhice do corpo e muitos problemas psicológicos. Esses fatores apresentam históricos de tratamentos psicológicos e psiquiátricos e sempre acompanhados de medicação. Aí, pode ser um antidepressivo, sonífero ou hipnótico.

Esses estudos indicavam que mais de 80% da população gay tem algum tipo de dependência química. As drogas podem ser psicoativas, psicodélicas ou alucinógenas e podem ser lícitas ou ilícitas.

Na minha juventude eu fiz uso da maconha, mas depois de algum tempo parei e até 2008 eu consumia diariamente bebidas alcoólicas. Ainda sou dependente do cigarro, mas com planos de parar de fumar.

Também,  não estou no grupo dos gays dependentes de medicamentos e espero não precisar deles tão cedo!

Cada um tem uma história diferente e as razões para o uso de drogas variam de acordo com o perfil psicossocial dos cidadãos gays.

Hoje vivemos a geração saúde e talvez os jovens gays da atualidade tenham menos problemas com drogas na fase adulta e na velhice, ou, talvez não, porque as drogas estão presentes no cotidiano da humanidade desde os primórdios da nossa história.

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