Os gays em 2012

O ano novo traz muitas promessas de mudanças de hábitos. Parar de fumar, de beber, perder peso, trocar de carro, de casa, de trabalho, etc.

Para os gays o que vai mudar?

Evoluímos lentamente para direitos iguais, sem discriminação, com proteção e menos homofobia. Ah! tem também os direitos civis e a união  estável.

Ontem um amigo me perguntou quem eu quero ser neste ano e eu respondi:

Eu quero ser eu mesmo. Quero aperfeiçoar algumas coisas pendentes, continuar trabalhando, aproveitar as horas livres para viagens com o meu companheiro, leituras e bons filmes.

Os gays mais experientes já sabem que nada muda e não temos como ser diferentes do que somos.

Eu espero menos violência contra os gays e menos intolerância.

Eu quero ser um gay que compartilha experiências através deste blog, porque essa é uma forma de socialização. Um trabalho social que completará três anos no final de janeiro.

Quero ser diferente em algumas coisas que eu acredito, como por exemplo, ampliar o alcance do blog para além das fronteiras brasileiras, para além mar. Nossos colegas lusitanos também têm muitos problemas comuns aos nossos. Aliás, os problemas dos gays maduros e idosos são iguais em qualquer parte do mundo!

Quem você quer ser em 2012?

Eu espero que nessa pessoa que você quer ser neste ano tenha espaço para um ser humano gentil, menos problemático, com menos traumas ou doenças próprias da idade e com muita vontade de viver uma vida digna, preferencialmente, com um companheiro para dividir bons momentos.

Talvez algumas mudanças físicas e comportamentais: mais gordinhos, mais grisalhos e talvez carecas. Nem por isso estaremos na mídia e ficaremos longe da badalação do mundo gay porque somos de uma época onde a discriminação era muito forte.

Já não cultuamos o corpo e a juventude, buscamos relações estáveis para compartilhar momentos de prazer a dois. Ampliamos nossos conhecimentos com a Internet, interagimos em redes sociais e buscamos não ficar sozinhos.

E assim, viveremos mais um ano de muitos sonhos e esperanças.

Os gays têm muitas faces

Este artigo foi publicado noutro blog que eu assino. Depois de dois anos eu reescrevi o texto para dar aos leitores dos grisalhos a oportunidade de conhecem alguns dos meus pensamentos sobre a minha condição de homossexual.

A história se repete com todos os gays:
Porque sou assim?
Porque sou diferente?
O que eu fiz para merecer isso?

Uma única resposta:
Você é assim porque o universo conspirou a seu favor.

Aceitar a homossexualidade nada mais é do que ter amor próprio e chega uma fase da vida que aprendemos a conviver bem com a nossa sexualidade, nos acostumamos a ela e junto dela vamos tocando a nossa vida.

Então você retruca:
Eu me amo e isso não tem nada a ver com sexualidade.
Eu respondo:
Tem sim e muito. Pare um instante e pense sobre as condições na qual você viveu a sua vida inteira. Foi por ser diferente que você ouviu chacotas, piada e sofreu discriminações. Você se escondeu dos parentes, fugiu deles, foi morar sozinho, passou frio e não teve ninguém para te amparar nos momentos difíceis.
E o medo dos colegas da faculdade ou do trabalho? Da família então, nem se fala.
Foram tempos difíceis aqueles, hein!

Naquela época a sua face era de medo, ira, revolta e indignação. Você se culpava e se sentia uma aberração, tentou o suicídio para escapar do destino que a natureza te reservou.
Você fez de tudo para mudar a sua orientação sexual, mas o seu desejo era mais forte e na calada da noite você escapava para procurar homens de corpos másculos, de pele rústica e bem dotados.
Você tentou religião, psicólogo e até pai de santo, mas nada contribuiu para você mudar.

Durante muitos anos você teve medo que a sua face te denunciasse. Você vivia se policiando e ensaiando discursos com a voz rouca e sem afetação.
Você se lembra de quantas oportunidades você perdeu na vida, por ser gay?
Você deixou de amar um parceiro por escolhas que foram contra a sua vontade.
Você abandonou o barco na hora da chegada ao cais do porto após uma longa tormenta.
Mas deixa prá lá, já passou e não dá para voltar ao passado e reescrever a sua historia.
Como disse Chico Xavier: Mas dá para começar a escrever um novo FIM.

Durante a vida você criou muitas faces e na velhice ela ainda não é definitiva, porque você ainda tem resquícios da “não aceitação”, mas você se acostumou a ela.
Você não precisa assumir para os outros, você tem que assumir para si e mais ninguém. Essa condição já é meio caminho andado para você ter uma face plena e feliz.
Qual é a sua face hoje?
De um senhor educado, idôneo e respeitado?
De um ser humano do sexo masculino genérico?
De um ser Inteligente e de fino trato? Triste ou feliz?
Realizado ou frustrado?

Ou de um ser humano medroso e acuado pelas circunstâncias da sua vida?
Enjaulado como animal selvagem num zoológico ou preso dentro da sua própria casa?

Não importa se você é bear, daddy, barbie, bissexual, travesti ou drag. Nem se você é efeminado ou de gênero masculino.
Importa o ser humano por traz da sua face – Frágil e carente.
Preste atenção e observe quantas faces você teve até aqui – Você é um camaleão.

Nessa altura da vida pouca coisa importa, e a face é uma das poucas coisas importantes. Ela decodifica e mostra para os outros quem você é de verdade.
Não se preocupe porque ela não vai transmitir aos outros se você está de bem com a vida, com boa saúde ou se está em PAZ.

Uma ou cem: escolhe quem as tem!
São muitas as faces dos gays
a ostentar preconceitos, produzir enganos
ser essência do amor, ou ápice da frustração.

Quando você puder, pare e se olhe no espelho.
Não sinta culpas e tente transformar a sua face numa face que resplandeça alegria de viver.
Os gays têm muitas faces e a mais bonita de todas é aquela que mostra o ser humano que você é.
A face definitiva é aquela que você aceita e que será a máscara mortuária da sua existência.

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