Gays maduros: Rebeldes sem causa

A falta de limites em todas as fases da vida de um gay dificulta o enfrentamento e o reconhecimento da realidade do individuo gay na velhice.

Essa afirmativa pode ser confirmada a partir da vivência de cada um. Existem muitas similaridades na vida dos gays. Desde a assimilação e a socialização em ambiente, exclusivamente homossexual, até as formas de contato e a busca frenética por parceiros.

No curso da vida nos tornamos sim, rebeldes sem causa, pois, sempre estamos do lado oposto de tudo o que acontece na sociedade. Lembra-se do Cazuza? Ele era um rebelde sem causa e se tornou mito, mas a quase totalidade da população gay não será mito.

Vivemos uma vida sem limites e olhamos o mundo como o nosso maior inimigo. Somos esmagados contra o muro e isso nos torna rebelde.

Amadurecemos e temos muitas dificuldades de reconhecer a nossa realidade enquanto indivíduo.

Os gays maduros enfrentarão o envelhecimento e terão que conviver com a sua sexualidade e isso remete à confluência e ao confronto entre o corpo e a cultura.

Pensar sobre ambos leva-nos invariavelmente a considerar as tensões entre a o declínio material do corpo e sua construção social.

O envelhecimento e a sexualidade tornam-se temas que se excluem mutuamente. O declínio do desejo, a perda da atratividade física e o virtual apagamento como pessoa sexuada estão entre as principais marcas e condições do envelhecimento que sustentam, em grande parte, o repúdio e o medo generalizados do corpo em degeneração.

Não é fácil imaginar que nosso próprio corpo, tão cheio de vida e juventude, muitas vezes, de sensações agradáveis, pode ficar vagaroso, cansado e desajeitado. Não podemos imaginá-lo e, na verdade, não queremos.

Daí, chegamos numa fase onde a rebeldia se abranda e se acalma. Nossos impulsos naturais desaparecem e nos tornamos cidadãos comuns, abandonados à própria sorte e com um pouco de sorte, com alguns poucos amigos, que como nós, já não querem se rebelar contra o mundo.

Todo gay é sim, um rebelde sem causa e isso me faz lembrar James Dean em Juventude Transviada.

Odair era um amigo muito querido que faleceu em 1995, vitimado pela AIDS. Uma vez ele me disse: De que adiantou eu viver a vida loucamente, como um rebelde sem causa, curtir rock and roll, viajar ao som do Led Zepellin ou Black Sabath, transar todos os homens que tive vontade, frequentar todas as boates da moda e se drogar, se no fim eu ouço anjos entoando cânticos angelicais. Isso deveria me confortar, mas no fundo isso me deprime, porque vou partir desta vida sem a certeza de que tudo o que fiz valeu a pena.

Dezesseis anos depois da morte do Odair eu tenho a convicção de que realmente nossa rebeldia é motivada pela nossa homossexualidade e a cada ano que passa fica mais difícil enfrentar e reconhecer a nossa realidade, enquanto indivíduo gay.

Ainda precisamos rodar milhares de quilômetros para equilibrar as forças, partindo da aceitação pessoal da nossa sexualidade que nos permita enfrentar e reconhecer a nossa realidade, desde a juventude até o envelhecimento, porque isso é sinônimo de VIDA e não vai dar para se arrepender no final.

Policiais gays lutam contra a homofobia

Desde que eu me conheço por gente, eu conheci muitos policiais e principalmente bombeiros gays. Apesar de nunca ter tido fetiche de transar com esses profissionais, sempre vi alguns deles em saunas e em cinemas de pegação.

Os policiais tem uma vida muito regrada e controlada pelo sistema e num ambiente predominantemente machista e patriarcal, daí não é difícil entender porque a maioria dos gays advindos desse meio vivem as suas vidas em conflito e dentro de uma redoma de vidro.

Eu conheci um gay que adorava flertar e paquerar os policiais rodoviários. Ele não escondia isso de ninguém no meio gay e gostava de cometer inflações  nas rodovias para abordar os policiais e se fosse idoso e de cabelos brancos, melhor ainda. Carlos era um gay muito louco e se arriscava em buscas frenéticas por sexo casual para satisfazer os seus desejos.

Moral da história: Parece piada, mas ele morreu aos 38 anos num acidente automobilístico numa rodovia do interior de Minas Gerais em 1990.

Os tempos mudaram e vivemos a segunda década do século XXI. Hoje assumir a homossexualidade é uma opção por conta e riscos de cada um e com consequências mais brandas e tem até grupos de gays que lutam em prol da liberdade e contra o preconceito.

Recentemente li uma matéria no Globo.com sobre policiais, agentes penitenciários, vigilantes ou outros profissionais que atuam na área de segurança pública e  que assumiram a homossexualidade e se uniram na luta contra a homofobia. Criaram a Rede Nacional de Operadores de Segurança Pública LGBT (Renosp-LGBT). Leia a matéria completa AQUI.

O Carlos viveu loucamente todos os anos da sua vida, numa busca incessante por prazer e sexo com os profissionais da segurança pública. Se ele estivesse vivo teria hoje 59 anos.

Bom final de semana para todos vocês…

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