Os gays com deficiências físicas

Eu já postei um artigo sobre os gays surdos e mudos e agora trago um artigo sobre os deficientes físicos e cadeirantes.

Ser gay é difícil, imagine então ser gay e deficiente físico?

Na minha trajetória de vida apenas uma vez eu encontrei um gay deficiente físico. Foi numa noite de 1981 e num bar do gueto gay paulistano. Naquela época eu tinha 22 anos e não entendia as dificuldades dos deficientes físicos e cadeirantes para se locomover para espaços públicos ou privados, longe de suas casas e com uma particularidade em comum: a homossexualidade.

Mas aquele encontro com o Marcelo foi muito proveitoso porque eu conheci um pouco do mundo gay que ninguém conhece, bem como, as dificuldades de interação social, desejos reprimidos, dupla discriminação e um mundo extremamente solitário.

Naquela época Marcelo era três anos mais velho do que eu e hoje ele é um grisalho de 56 anos, formado em psicologia, bem sucedido e bem resolvido nas questões da sexualidade.

Naquela noite ele me contou que frequentava aquele bar para beber. Ele enchia a cara para esquecer os problemas familiares e psicológicos. Raras vezes encontrou alguém para relacionamento sexual – Uma de suas frases: “pior do que ser aleijado é ser gay”.

O tempo passou e recentemente eu participei de um evento de inclusão social de cadeirantes no mercado de trabalho e qual não foi a minha surpresa ao ver o Marcelo liderando a equipe de consultores.

Após o encontro saímos e conversamos sobre o que mudou nesses 31 anos entre 1981 e 2012. É incrível a percepção do mundo e da vida na maturidade. Marcelo mudou o discurso e disse que o mundo mudou radicalmente, mas os problemas ainda são os mesmos, principalmente, no Brasil onde as ONGs LGBT não tem planos ou projetos para deficientes físicos.

Hoje ele diz: Pior do que ser gay é ser deficiente físico. As questões da sexualidade humana evoluíram nas últimas três décadas, mas ainda existe um abismo grande e muitas barreiras para superar a dupla discriminação.

Você não chega para um cadeirante e pergunta: você é gay? Geralmente, o cadeirante é visto como um inválido e os gays não querem homens inválidos.

Na última Parada Gay de São Paulo eu vi pelo menos uns três cadeirantes firmes e fortes durante o trajeto. Isso demonstra que alguns poucos corajosos estão encontrando o seu espaço. Tive também informações da Parada Gay de Cuiabá de 2012, que destacou dois jovens gays cadeirantes durante a parada.

O Marcelo me falou do grau de dificuldade na conquista de um companheiro, porque isso depende muito de como a pessoa deficiente encara sua própria deficiência. Se ele tem muitos preconceitos em relação a ele mesmo, se ele aceita e a quantas anda sua autoestima. Outros pontos externos também valem muito: se estuda ou estudou, se tem trabalho, se consegue ganhar dinheiro, se ele pode comprar as coisas de que precisa, se consegue sustentar-se e satisfazer as suas necessidades diárias, sem muita dependência de outras pessoas. Tudo isto conduz a um maior bem-estar pessoal, a uma melhor posição perante a vida e a uma maior alegria de viver.

Marcelo finalizou a conversa relatando a sua jornada desde a juventude até a maturidade e acredita que na velhice basta alguém para dividir o tempo e compartilhar coisas simples da vida.

Marcelo é um vencedor, mas não posso esquecer-me de outros milhares de gays cadeirantes, jovens ou idosos  isolados da sociedade, dos círculos gays e com muitas barreiras a serem vencidas.

Algumas poucas organizações fora do Brasil tem uma presença forte na Internet. Uma dessas organizações é a Queer on Wheels, fundada por Eva Sweeney em 2004. Essa organização lida com questões relacionadas à sexualidade dos cadeirantes, realizando oficinas diversas e abordando temas e editando material de referência.

O cartunista britânico David Lupton faz seu ativismo social com críticas e humor. Sua proposta pode ser vista no site do artista – The Crippen Cartoons. Ele se denomina: provavelmente o melhor cartunista inválido do mundo.

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Publicado em 05/11/2012, em Saúde, Sexualidade e marcado como . Adicione o link aos favoritos. 5 Comentários.

  1. Valdir araujo

    então, sou gay e sou deficiente físico, moro em Brasília, que apesar de ser uma cidade plana apresenta muitos obstáculos aos deficientes, mas este não e o caso aqui, realmente encontrar alguém no meio gay que queira algo a mais com um deficiente e algo raro, pois normalmente. Beleza ea juventude são os primeiros olhares do público gay, um deficiente físico já quarentão e de perfil normal, quer dizer, nem feio nem bonito, tipo comum, como eu, sofre horrores para encontrar alguém, normalmente tenho que esconder minha minha deficiciencia, sem contar o temor que tenho de violência e homofobia,assim o sexo acaba ficando só no oral, inclusive devido a dificuldades de movimentos, mas tudo bem, como diz o poeta: cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é.

  2. vejo que Marcelo fala com propriedade o assunto e tao importante ,que só trés pessoas se manifestaram ,isso e fato ou vcs acham que so existe gay narcisista ,existe gay deficiente , físico ,mais não no coração e sim gosta de dar carinho e receber tbm,porq so a perfeição nos agrada ,pois vemos com os olhos em vez do sentimento ,pois blz e se vê claro ,mais atrás disso ,oq os olhos alcança?sentimento vem de dentro onde os olhos não chega mais sim o afeto ,respeito,e carinho.pior gay ,e o gay preconceituoso ,morde sua própria linguá.,sao os mais preconceituosos .pois busca perfeição,e isso não existe….

  3. …..verdade paulo deficiente e gay deva merecer honras e glorias nesse momento atual
    em que o ser humano encontra-se no mais baixo nível de condição moral.

  4. É o blog com temas bem polêmicos mais um:
    Esse assunto é algo também muito a pensar….. quando vemos um cadeirante,no geral em que vemos são casos de paraplegia ou seja existe uma lesão medular em que há comprometimento da cintura para baixo….no geral são independentes ou semi-dependentes, mas o ke
    pensar por exemplo no caso de um acometimento total de medula em que só se mexe a cabeça(tetraplegia) e gay???????? phoda né????????? como deve ser a cabeçinha dum
    ser deste ou …. um paralisado cerebral em que o físico é comprometido e muitas vezes entende tudo e é confundido com deficiente mental????????????hummmm….como dizem:
    babado forte….complicado mesmo.
    Realmente o Brazillllllll não apresenta políticas públicas para este perfil de população, a coisa tá muito devagar…mas não perdendo o foco do assunto:
    Percebo muito a sexualidade nessa questão da deficiência. Há muitos fatores a serem considerados: tipo da lesão,nivel medular envolvido, sensibilidade,nivel cultural,o ke vc
    considera a partir do que é sexo: penetração? carícias incluem? mãos ou boca podem substituir um pau??? aí depende da opinião de cada um…..
    Já vi casamentos desfeitos por conta do fator sexual, conheço mega hiper-gatos(2) por opção mesmo terem relações homossexuais visto que para bancá-los no fator transporte só mesmo outro macho para faze-lo.Ou já que não sentem qual o problema de ser uma passiva ?????nenhum….no outro o fator econômico que falou mais.
    Percebi muita interação deste publico com n perfis de pessoas e n profissionais, a convivência faz laços e barreiras parecem serem destruídas….ao meu ver ok?.
    Estou numa fase meio que de cinema, recomendo ao filmes: Mar adentro, (Javier Barden, eitcha… ke homi lindo ou Frida Kalho( com Salma Hayek). trés belle….em que a mexicana diz assim:
    Pernas…. porque tê-las se eu tenho asas para voar????????????volar….

    Obs: e nóis aki reclamando da falta de um amor.., ou na triste velhice gay….que nada gente,
    UM BRINDE A NOSSA VIDA, TIM TIM.
    espere o melhor, prepare-se para o pior e o ke vier é lucro……..

  5. paulo azevedo chaves

    Um post muito importante, pois chama nossa atenção para um drama que raramente percebemos no dia a dia das metrópoles. Ser deficiente é um problema não só pela deficiência em si, mas sobretudo pela ausência de suporte técnico para os cadeirantes, em especial, nas ruas, transportes públicos, restaurante e por aí vai. Ser deficiente gay aumenta em muito o drama dessas pessoas, pois elas são discriminadas e rejeitadas pelos próprios gays, quase sempre enamorados da perfeição física, da barrguinha tanque e outras vaidades narcisísticas. É preciso muito heroismo para vencer essa batalha contra tudo e todos.

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