Comportamento sexual compulsivo dos gays maduros

Um assunto recorrente aqui no blog é a sexualidade dos homens gays e bissexuais.

Não existe um padrão para o comportamento sexual e muitos se questionam sobre o sexo compulsivo. Até onde é saudável? Será que é uma doença sentir tanta vontade de fazer sexo?

Sabemos que na juventude o sexo está à flor da pele e com muitas possibilidades concretas de realização. Já na fase adulta há uma acomodação natural, mas existe um contingente de gays maduros que eu chamo de “loucos por sexo”.Aí, vale tudo: banheiro público, exposição pública, roteiro de cinema pornô e principalmente, saunas.

Por outro lado, o gay maduro também, se sente mal, porque dentro de um padrão “normal”, isso é uma doença.

Esses pensamentos geram angustia, desconforto e culpas. Mas há que se entender e questionar que não existem regras do que é certo ou errado, porque tudo isso é muito complexo e esbarra em crenças, cultura, sociedade, religião e moral.

Alguns gays maduros tem diminuição do desejo sexual, outros são indiferentes, outros acham que o sexo é muito importante e vivem a sexualidade diariamente.

Uma minoria dos gays maduros faz sexo não com o intuito sexual e isso eu chamo de “Comportamento Compulsivo Sexual”. É o que os psicólogos denominam hipererosia, muito comum ao meio gay.

Um exemplo são os gays maduros e idosos que frequentam saunas. Muitos deles são solitários e vão à sauna para socializar, conversar e passar o tempo, mas naquele universo tem aqueles que não saem do darkroom e transam com muitos parceiros num mesmo dia. Tenho notícias de gays que permanecem dentro das saunas por mais de 8 horas.

Os gays com comportamento sexual compulsivo necessitam fantasiar algo relacionado ao sexo. Esses pensamentos são diários e isso traz uma inquietação que não permite fazer outras coisas importantes de uma forma dedicada e coerente.

Esse comportamento depende de características pessoais especificas, mas ainda assim é possível enumerar algumas:

Pensamentos obsessivos, ideias, imagens ou impulsos que entram na mente repentinamente e de forma estereotipadas, são angustiantes, e a pessoa não consegue resistir a elas;

Atos ou rituais – comportamentos também, estereotipados que se repetem muitas vezes, não são agradáveis e são vistos como preventivos de algo improvável;

 Essas manifestações ocorrem em conjunto com ansiedade e depressão.

O gay na fase adulta não admite que tenha esse distúrbio e somente procura ajuda quando algo muito grave acontece e sempre ligado ao comportamento sexual.

Eu conheci um gay idoso que foi preso porque expôs o pênis numa praça pública. Além de atentado violento ao pudor ele também era um compulsivo sexual.

Não basta a pessoa se identificar com algum desses aspectos ou simplesmente ignorar, achando que não tenha nenhuma ligação com ela.

Uma vez que existe a suspeita, é importante buscar ajuda especializada para uma avaliação.

Uma das abordagens mais eficientes para o tratamento desse problema é o Comportamental Cognitivo.

Ninguém sabe a origem dessa compulsão, mas eu acredito que a supervalorização do sexo, aliado à ansiedade e solidão dos gays na fase adulta e na velhice, colabora para o desenvolvimento desse comportamento.

Com o advento da Internet, uma nova forma de compulsão sexual está surgindo. São os viciados em sexo virtual.

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Publicado em 01/07/2011, em Comportamento, Sexo, Sexualidade e marcado como , , . Adicione o link aos favoritos. 2 Comentários.

  1. Esta artigo parece falar de mim. Pois é. Quando eu era muito novo li um livro de psicologia onde se dizia que a homossexualidade era algo, bem, doentio. Mas o que me impressionou foi como os homossexuais pareciam se sentir culpados e, ao mesmo tempo, transavam muito.

    Quando fiquei mais velho fui hetero a maior parte do tempo, adolescência e inicio da vida adulta. Namorei, casei, mas sentia falta de sexo. E olhe que eu fazia amor com minha mulher todo dia! Mas desejava variedade. Tinha tido experiências comuns na infância com outros meninos. Faziamos “meia”, onde uma quase penetração era feita. E dizíamos uns para os outros que quem “dava e comia” não era viado.

    Mas sempre fiquei na dúvida, e com medo, de ser viado.

    Já casado conheci os travestis. De inicio eram apenas homens vestidos de mulher. Depois, hormonios e silicone, e eles ficaram mais “montadas”. Mas minha atração maior era por aqueles apenas afeminados, sem muita “montagem”. Pois é. À época era muito mais difícil ser homossexual. E eu gostava muito de minha condição de hetero casado. Com a coisa da liberação sexual eu e minha mulher começamos a nos relacionar sexualmente com outras pessoas. E minha “porção homossexual”, se soltava com os travestis. A vantagem com eles é que era algo pago e discreto. Ninguém precisava saber. E eles, afinal, eram quase mulheres! Com isto eu, e, provavelmente a multidão que sai com travestis, não se sentia “viado”, ao contrário, para muitos, não para mim, comer um viado quase mulher mostrava quão macho ser era. Ou se é.

    Eles me ensinaram que a maioria dos clientes era também de casados. E uns 30% eram passivos na relação. E fui aprendendo também com eles, como dar a bunda podia ser prazeiroso. Mas continuava me sentindo “macho”.

    Demorei a aceitar como homossexual. Ou melhor, um homem que (gosta muito) de fazer sexo com outro homem. Quando fui aceitando isto, já havia internete e uma rede de saunas. Aí, procurar homem deixou de ser algo do tipo, ir a cena gay (e com isto se expor como gay), paquerar em lugares públicos (e, com isto se expor como homo, mas também correr riscos, roubos, agressões, escandalos). Podia ser homossexual quando com outros homens parecidos comigo e manter isto como uma parte discretamente escondida.

    Entendam, acho que se hoje fosse jovem talvez seguisse um rumo distinto. Ia continuar gostando de mulher, querer sair com elas, mas, talvez, não casasse e tivesse filhos. E isto sei que seria, para mim, uma enorme perda! Mas poderia mais facilmente assumir-me homossexual, sem ser tão discreto….

    Pois bem, o que aconteceu com esta repressão toda que senti? Como disse acima, tinha sexo diario com minha primeira esposa. E ainda saia com outras, com garotas de programa, com travestis e, frequentemente me masturbava.

    Esta compulsão sexual, bem, pode ter sido causada na infância. Ou pode ser outra coisa qualquer. Ou, mais provavelmente, ser uma maneira de ser. E aceitei bem isto.

    Bem, agora que assumi, para mim principalmente, a minha homossexualidade, fico me sentindo como se tivesse perdido tempo. Sair com travestis era um sucedâneo de sair com homens. Agora que saio sinto recuperando o tempo.

    Por outro lado, já não consigo sexo todo dia. A ereção é mais dificultosa. E, nem sempre, se consegue um bofe para sexo. Como sou apenas passivo, a dificuldade erétil não é nenhum problema. E fui aprendendo a ter um prazer muito grande com sexo anal. Creio que isto veio com a aceitação de mim mesmo. Ejacular já não é tão importante. Mas continuo querendo muito sexo. Não dá para ter um homem todo dia. Nem ir a sauna também diariamente. Então, quando lá vou, fico muito tentado a ter vários homens.

    Por que? tenho a sensação de que se você tem sexo todo dia, ejacula e fica satisfeito. Mas o prazer puramente anal como que se perde. Se, no entanto, você transa com três, ou mais, com muitos homens, esta forma particular de prazer pode se manifestar.

    Bem, não sei se isto é apenas uma experiência particular de um viado idoso querendo se explicar, ou se isto é mais geral, e explica porque os frequentadores de sauna gostam de ficar lá por muitas horas e, a maioria, tentam transar com muitos. E não apenas os passivos. Muito ativos vão comigo para a cama, mas não ejaculam. Param e depois vão com outros. Parece que com a prática conseguem possuir vários homens sem ejacular.

    Talvez os frequentadores grisalhos das saunas sejam como eu, ou algo parecido, tentem recuperar o tempo perdido, assim como podem sentir-se homossexuais num lugar onde isto é a regra, mas lugar este aonde não se vai todo dia. Não sei.

    Gostaria de saber a opinião de outros, tanto os bissexuais quanto homo.

  2. Eu não imaginava que este post fosse despertar tanto interesse dos leitores do blog. Em apenas 18 dias teve mais de 1.200 acessos.
    O tema é sério e deve ser considerado como um recado para todos os gays e não apenas aos maduros e idosos

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